terça-feira, 14 de outubro de 2008

Instantes antes

Lembro-me da ansiedade e da animação.

Uma semana antes eu tinha ido ao cabelereiro (pra ser sincero, cabeleleira). Dei um jeito naquele cabelo maltrapilho que insistia em deixar. Cortei bem baixo. Sabia que em uma semana ele voltaria a um tamanho razoável. Ele sempre cresce rápido demais.

Nesse dia, com o cabelo um pouco mais crescido, fazia uma noite da qual não me lembro o clima (provavelmente era um dia quente). Todos que iam na viagem se reuiniram numa sala. Haviam alguns pais e vários alunos. A agitação era constante. Todos estavam curiosos e sedentos por informação. Unânimamente, esperaram o ano inteiro por esse momento.

A reunião correu bem, todos riram, ouviram atentamento o reteiro de viagem, ficaram extasiados com a promessa da melhor viagem da vida deles (E foi; até o presente momento, foi).
Uma mãe lá ficou com mania de superproteção e perguntou sobre varias coisas idiotas. A professora responsável nos encheu de medo dizendo que haveria pulso firme e ao sinal de uma sequer mancada ela faria da nossa vida um inferno.
Confesso que na hora bateu um certo receio... "Porra, ela vai estragar nossa viagem".
Depois me arrependi. Ela ponderou muitas coisas, mostrou a humana guerreira que é e ainda fez com que uma ponte maior se estendesse entre nós. Até hoje sinto uma grande admiração pela professora Débora.

Quando saímos da reunião, ainda vagamos planejando e programando os melhores dias da nossa vida. Nunca imaginei que seriam tão bons quanto foram.

Acho que foi lá que vi o quanto o Brasil pode ser maravilhoso. Percebi que pessoas diferentes podem se tornar grandes amigos. Pude ver que professoras também são gente (e perigosas, hahaha). Comecei a me apaixonar por uma pessoa, sem saber.

Lembro uns 80% daquela noite. Lembro da minha amiga (atual namorada) chamando uma amiga de mãe... lembro-me dela sorrindo... lembro-me dela brincando e falando sem parar, incomodando um monte de gente. É incrível como a maioria das lembranças envolvem ela.

Nunca fui de acreditar em destino. Mas por que diabos nós batemos tanto assim? Por que tudo deu tão certo pra gente? Por que tudo foi - e ainda é - tão perfeito?

Dormi com um papel novo sobre a mesa do computador; nele havia um roteiro de viagem. O melhor roteiro possível.

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